Ela mede 1,77 metros, ele 1,79. Ela pesa 62 quilos, ele 94. Ela é branca, ele mestiço. Ela é conhecida pela pose de modelo, pela classe, pelo glamour, pela graciosidade. Ele dá nas vistas pela postura de jogador de rugby, pelos músculos, pela potência, pela velocidade. Ela ganhou um Óscar. Ele não. Ela é Charlize Theron, ele Bryan Habana. Ela mudou de figura para se parecer com um monstro humano e entrou na história da África do Sul por ganhar o primeiro prémio de Hollywood para o país. Ele trabalhou a figura para funcionar como monstro humano nos relvados e está prestes a entrar na história da África do Sul como o atleta que mais ensaios converteu pelos Springboks. Tão diferentes, tão iguais. Ao ponto de terem nascido na mesma cidade.
Em 2003, o antigo capitão saiu da selecção, enquanto Habana jogava ainda pela Rand Afrikaans University, mas, logo na época seguinte, a ideia de vazio diluiu-se, com a estreia do "Jet Shoes" - uma das suas alcunhas - pelos Springboks: mal tocou na bola, correu como se não houvesse amanhã e converteu um ensaio.
A partir daí ganhou a titularidade e, em 2007, foi considerado o melhor jogador do mundo, após igualar o registo de oito ensaios num Mundial (que é de Lomu). Trinta e oito ensaios depois, e com o cenário inalterável (há mais negros a jogar mas na selecção predominam os brancos), Habana, de 27 anos, apresta-se para a conversão que ninguém pensava - inscrever o nome de um mestiço no livro de recordes do rugby sul-africano.
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